Museu Arslan Eyje Private Amphora — 5000 anos de história do comércio marítimo em Taşucu
Na cidade costeira de Taşucu, na costa mediterrânica da província de Mersin, encontra-se um edifício do início do século XIX que outrora serviu de armazém. Hoje, este edifício alberga o Museu Arslan Eyce Private Amphora — o único museu de arqueologia marítima do seu género na Turquia, inteiramente dedicado às ânforas. A coleção abrange um intervalo impressionante: desde 3200 a.C. até 1800 d.C. — quase cinco mil anos de história do comércio marítimo, condensados em 400 vasos de barro de diferentes formas, tamanhos e épocas. O Museu Arslan Eyce Private Amphora é um local onde a história do Mediterrâneo é contada através da linguagem dos vasos de barro, que permaneceram em silêncio no fundo do mar e ganharam voz nas mãos de um entusiasta.
História e origem do Museu Arslan Eyce Private Amphora
A história do museu é, acima de tudo, a história do seu fundador. Aslan Eyce (1936–2018) — natural de Silifke, cooperativista e jornalista de profissão — passou quarenta anos a recolher ânforas do fundo do mar e das margens circundantes. A maioria das peças expostas provém de naufrágios: as águas junto às margens de Taşucu e Silifke são ricas em navios submersos, uma vez que estes locais constituíram, desde a Antiguidade, uma importante rota de trânsito entre o Egito, a Síria, Chipre e os portos da Ásia Menor.
A antiga Tashuju chamava-se Holmi — uma pequena, mas importante cidade portuária, que estava intimamente ligada à Anatólia interior através do vale do rio Göksu. Era precisamente através do Göksu que passava a rota comercial da Anatólia Central para o Mediterrâneo; Holmi era o ponto final deste corredor. Os produtos agrícolas produzidos na região — cereais, azeite, vinho — eram embalados em ânforas e transportados por mar para outras partes do mundo antigo.
Em 1992, Arslan Eyje fundou o primeiro vakf (fundo de caridade) na história de Taşucu e cedeu o edifício do início do século XIX para as necessidades do museu. Em 1997, ele transferiu a gestão da coleção para o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia. Após os trabalhos necessários de equipamento e sistematização da exposição, o museu abriu oficialmente ao público em 2003. Hoje, o edifício é propriedade da fundação; o vakf está sob a supervisão da Direção-Geral dos Vakfs da Turquia e possui vários imóveis em Silifke e Tashuju.
O resultado de quarenta anos de trabalho de Arslan Eyje — 400 ânforas, cada uma das quais constitui um artefacto independente. Não se trata apenas de uma coleção pessoal: é um retrato sistematizado do comércio marítimo do Mediterrâneo ao longo de cinco milénios. A inauguração do museu em 2003 constituiu o reconhecimento da importância deste trabalho, tanto a nível turco como internacional.
Arquitetura e o que ver
O museu está situado num edifício do início do século XIX na avenida İsmet İnönü (İsmet İnönü Bulvarı) — a rua principal de Taşucu. O próprio edifício serviu inicialmente de armazém: paredes maciças, tetos abobadados, janelas pequenas para manter a frescura — a clássica arquitetura regional do final do período otomano. Este caráter funcional do edifício corresponde surpreendentemente bem à natureza das peças aqui expostas: a ânfora também era, antes de mais nada, um recipiente, um objeto utilitário que se tornou um monumento.
Coleção de ânforas: cronologia e tipologia
O principal valor do museu é a diversidade da coleção. As 400 ânforas abrangem um período que vai de 3200 a.C. até 1800 d.C. Isto significa que nas vitrinas coexistem vasos da Idade do Bronze, do período arcaico grego, do período clássico, helenístico, romano e medieval. A forma da ânfora foi mudando ao longo do tempo: na Idade do Bronze, eram vasos baixos e de boca larga; no período clássico, os gregos desenvolveram um tipo cónico esguio com fundo pontiagudo; os romanos padronizaram a produção por regiões — e o especialista em achados determina de onde vinha o navio. O Museu de Tashuj permite comparar estes tipos diretamente, tendo em mente a sua evolução.
Temática marítima: ânforas de naufrágios
As ânforas recuperadas do fundo do mar representam um valor especial. A água do mar conserva a cerâmica de forma diferente da terra: a superfície fica coberta de incrustações, conchas e vestígios de organismos marinhos. Estes vestígios não são um defeito, mas sim um documento: revelam a profundidade, a duração da imersão e, por vezes, a carga que era transportada nas proximidades. Arslan Eydje colecionava precisamente este tipo de peças: com a biografia do fundo do mar.
O edifício-armazém como espaço expositivo
A atmosfera do armazém do século XIX combina bem com a exposição: nas salas altas de paredes grossas, as ânforas estão dispostas em filas e grupos, divididas por épocas e regiões. A ausência de um design interior extravagante favorece as peças expostas — a atenção concentra-se nos próprios vasos. É fácil tirar fotografias: a boa iluminação lateral realça a textura do barro e a forma das alças.
Contexto local: Tashuju e Holmi
Depois de visitar o museu, vale a pena ir até à orla de Tashuju e contemplar a baía: era aqui que atracavam os navios carregados com as mesmas ânforas que se encontram atrás do vidro. A cidade é pequena e agradável, com restaurantes de peixe e um terminal de ferry. O ferry de Tashuju faz a ligação para o Norte de Chipre (Kyrenia/Girne) — uma rota única que liga a Turquia à ilha, que na Antiguidade também foi um importante ponto de trânsito para o comércio mediterrânico.
Factos e lendas interessantes
- Arslan Eyje colecionou ânforas ao longo de quarenta anos — mais do que a idade de muitos museus estatais. O fundo particular permitiu preservar e sistematizar achados que, de outra forma, teriam acabado em mãos privadas ou no mercado de antiguidades.
- As peças mais antigas do museu datam de 3200 a.C. — trata-se da época da Idade do Bronze inicial, quando os primeiros comerciantes marítimos do Mediterrâneo traçavam rotas entre a Anatólia, a Síria e o Egito. As mais recentes datam de 1800 d.C., ou seja, do período otomano.
- A antiga Tashuju chamava-se Holmi e estava ligada à Anatólia Central através do vale do rio Göksu. Foi precisamente aqui, segundo uma das versões, que em 1190 se afogou ao atravessar o Göksu o imperador alemão Frederico I Barbarossa, que se dirigia para a Cruzada.
- O edifício do museu é um dos poucos armazéns do início do século XIX que se conservam na costa de Mersin. A sua arquitetura constitui, por si só, um monumento histórico do período otomano tardio.
- O vakf, fundado por Arslan Eyje em 1992, tornou-se o primeiro na história de Taşucu. Isto significa que a criação do museu não foi apenas um gesto de colecionador, mas um ato consciente de construção institucional para a comunidade local.
Como chegar
Tashuju fica em Silifke, província de Mersin. Coordenadas do museu: 36°19′03″ N, 33°52′40″ E. O museu está situado na avenida İsmet İnönü — a rua principal da cidade, a poucos minutos a pé do passeio marítimo e do terminal de ferry.
O aeroporto de grande dimensão mais próximo é o Adana Şakirpaşa (ADA), a cerca de 120 km a leste. Há autocarros que ligam Adana a Silifke; a viagem demora cerca de 1,5 a 2 horas. De Silifke até Taşucu são mais 10 km, cerca de 15 minutos de táxi ou dolmuş. De Mersin, partem regularmente autocarros diretos para Silifke; a distância é de cerca de 80 km. De Antália: cerca de 400 km pela estrada D400; é conveniente dividir a viagem com uma paragem em Alamut ou Anemurium.
Dicas para o viajante
O museu é pequeno, pelo que a visita demora entre 45 a 60 minutos. Para um conhecimento mais aprofundado, é melhor contratar um guia turístico de Silifke ou estudar antecipadamente a tipologia das ânforas — assim, as 400 peças de diferentes épocas transformam-se de uma massa homogénea numa cronologia fascinante. Na Internet estão disponíveis artigos introdutórios sobre os tipos de ânforas da Lícia, de Chipre e de Rodes — uma boa leitura antes da viagem.
Combine a visita ao museu com outras atrações da região: o Castelo de Mamure (Mamure Castle) em Anamur, Anemurium, a fortaleza de Silifke, a basílica de Santa Tecla (Aya Tekla) — tudo isto num raio de 50 km. A balsa de Taşucu para Kyrenia (Chipre do Norte) acrescentará uma dimensão mediterrânica à viagem. Perto do museu, há bons restaurantes de peixe com vista para a baía; o peixe fresco na província de Mersin é um dos principais prazeres gastronómicos da região. E lembre-se: o Museu Arslan Eyje Private Amphora existe graças à paixão particular de um único homem, que se transformou em património público — um exemplo raro de como a obsessão individual pela história muda o destino de uma cidade inteira.